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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Miss Brontë" de Juliet Gael

"Parecia que o próprio sonho se realizara como sempre se realizam, a seu tempo e de maneira inesperada". (p. 359)


"Miss Brontë" se trata de uma ficção biográfica sobre uma renomada escritora da literatura inglesa: Charlotte Brontë.
Filha de um pastor - Patrick Brontë - quase cego e depressivo e tendo como único varão da família o irmão Branwell que, além de desempregado, entregou-se a bebida após se apaixonar perdidamente por uma mulher casada cujo marido era quem lhe pagava o salário como tutor. E, apesar do intelecto aguçado, seu ego era enorme e Charlotte acreditava que a culpa disto estava no tratamento indulgente na criação do irmão. Sabendo que não poderia contar com ele, ela buscava por alternativas para acrescentar o sustento da família. Mas sua tentativa em transformar sua casa em uma pequena escola, como internato, fracassara e a probabilidade de ela e as irmãs, Emily e Anne, terem de se separar para voltar ao trabalho como preceptoras novamente, não agradava a nenhuma delas. Queriam estar juntas. Mesmo que a vida em Haworth - um vilarejo na Inglaterra - fosse tão enfadonha. As reclusas irmãs Brontë não se importavam, pois se costumaram a recorrer à imaginação para que vida fosse menos fastidiosa, desde a infância criavam histórias de mundos imaginários cheios de emoção e aventura.

"Charlotte tinha pouco controle sobre o que emergia. Acreditava na supremacia da livre imaginação. (...); as ideias despontavam naturalmente". (p. 80)

Charlotte surge então com a ideia de que Emily deveria publicar as poesias que costuma escrever, mas com a recusa obstinada da irmã, muda de tática para convencê-la: propõem que as três publiquem juntas seus poemas. Emily aceita a proposta, porém com uma condição: deveriam publicar sob um pseudônimo e manter completo sigilo sobre a publicação. Nem mesmo seu pai e irmão, ou qualquer amigo por mais íntimo que fosse, poderia saber. Charlotte aceita a condição e é ela quem procura por um editor e, ao encontrar, elas tomam a decisão de utilizar uma parte do dinheiro que lhes fora deixado de herança pela tia para bancar a publicação. Os nomes escolhidos por elas como pseudônimo seriam masculinos: Curter (Charlotte), Acton (Anne) e Ellis (Emily) Bell (Brontë).

Apesar do fracasso nas vendas do livro - apenas dois exemplares foram vendidos -, as irmãs estavam contaminadas com a excitação de escrever e publicar e estavam decididas a escrever um romance desta vez. Foi quando Emily escreveu "O morro dos ventos uivantes", Anne escreveu "Agnes Gray" e Charlotte, "O professor". O romance de Emily e Anne foram publicados, mas nenhuma editora aceitara a produção de Charlotte. Ela mesma não estava muito satisfeita com o romance que parecia não exprimir paixão à altura do que fora sua inspiração: um professor de quando estudara em Bruxelas por quem se apaixonou. Mas uma nova ideia para uma trama surgia em sua mente e quando partiu para Manchester para acompanhar o pai em sua cirurgia para a catarata e por lá teve que permanecer durante um mês - pois era o tempo determinado pela médico para a recuparação de seu pai -, é que, então, deu vida a sua maior obra "Jane Eyre". Esta obra lhe trouxe grande sucesso, mas por um bom tempo teve de permanecer escondida sob seu pseudônimo pela promessa feita à irmã.

Poucos foram os homens que alcançaram o coração de Charlotte, como o tal professor de Bruxelas e o seu editor George Smith, mas somente um a amou intensamente. Por muito tempo Charlotte lutou contra os sentimentos de Arthur Nicholls, um pároco-assistente que trabalhava para seu pai. Um homem pobre e turrão, de um intelecto que não alcançava ao de sua amada, mas de bom coração. Charlotte, finalmente, se permitiria ser amada?

Amor, fracasso e sucesso, perdas, laços e conflitos familiares. Todos os elementos que compõem a vida de Charlotte Brontë estão presentes neste livro. A autora de "Miss Brontë" se ateve ao máximo na história biográfica para compor esta obra que nos permite permear na intimadade da família Brontë.
Para mim, que tenho um enorme apreço pelas clássicas obras das irmãs Brontë, foi simplesmente delicioso me sentir tão próxima das autoras. Quase que o livro todo me pareceu verossímil, em muitos momentos mesmo aquelas partes em que são claramente imaginadas pela autora me pareciam próximas de serem verdadeiras. Com exceção das últimas cem páginas em que, na minha opinião, foram tão romanceadas que aparentaram claramente falsas, e ocorreram algumas mudanças que me pareceram bruscas no comportamento de alguns personagens. Também não posso deixar de comentar que o excesso de informação - que eram, para mim, muitas vezes interessantes - em alguns momentos deixa a leitura um pouco cansativa. Percebe-se que a autora tentou incluir o máximo de informações possíveis na história, mas ainda assim boa parte da vida da autora não é mencionada no livro que inicia sua trama com Charlotte já adulta.
Ainda assim, admito que me emocionei ao me perder nas páginas de "Miss Brontë", e que Charlotte me surpreendeu por ter sido uma pessoa tão forte e ter enfrentado tanta tristeza e dificuldade.
Adorei reconhecer as autoras e suas histórias no romances que escreveram, e lamento ainda não ter lido outras obras de Charlotte, além de "Jane Eyre" que eu amo tanto. Espero que "Villette" e "Shirley" sejam publicadas aqui no Brasil. Mas enquanto isto, vou à caça por estas obras em sebos ou por edições estrangeiras.
Enfim, eu gostei bastante e recomendo!

Literatura Estrangeira
Editora: Laurosse
Publicado em: 2011
Formato: Brochura
Número de páginas: 400
Categoria: Ficção Biográfica
Idioma: Português
Nota: 4/5
PARTICIPE DA PROMOÇÃO E CONCORRA A UM EXEMPLAR DO LIVRO!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Anna e o Beijo Francês" de Stephanie Perkins

"É possivel que lar seja uma pessoa e não um lugar?" (p. 195)


"Quero memorizar o seu cheiro, o toque de sua pele, um dos seus braços, agora contra o meu, e a solidez de seu corpo. Não importa o que aconteça, vou me lembrar disso pelo resto da minha vida.
Estudo o seu perfil. Os lábios, o nariz, os cílios. Ele é tão bonito.
(...)
O que é isto? É paixão? Ou outra coisa tudo junto? E é possível que me sinta assim por ele sem que os sentimentos sejam recíprocos?" (p. 141)


Sinopse: Anna Oliphant tem grandes planos para seu último ano em Atlanta: sair com sua melhor amiga, Bridgette, e flertar com seus colegas no Midtown Royal 14 multiplex. Então ela não fica muito feliz quando o pai a envia para um internato em Paris. No entanto, as coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um lindo garoto - que tem namorada. Ele e Anna a se tornam amigos mais próximos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Anna vai conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?
(retirado do skoob)

"Ele ajeita um lugar na cama e se deita. - Ai - ele diz.
- O que foi?
- Meu cinto. Seria estranho se...
Agradeço por ele não conseguir me ver corar. - Claro que não. - E ouço o desafivelar do cinto conforme ele o tira das calças. Coloca-o no chão de carvalho.
-Hummm - ele diz. - Seria estranho se...
- Sim.
- Ah, se liga. Não estou falando da calça. Só quero saber se posso entrar debaixo das cobertas. Aquela brisa é horrível." (p.140)

Stephanie Perkins não poderia ter escolhido um cenário mais perfeito como Paris, a Cidade Luz, para dar vida a esta história. E nem poderia ter criado uma protagonista tão carismática quanto a Anna e um par tão gentil e simpático para ela quanto o tal americano com sotaque britânico que vive na França, Étienne St. Clair.

A autora dá um tom leve e descontraído à narrativa que faz com se devore o livro e seja esta uma leitura rápida. Suas descrições de Paris são tão apaixonantes que uma vontade tão grande de estar lá surgiu em mim de forma tão intensa que até me deprimiu. Sempre tive vontade de conhecer a França, mas nunca tive interesse tão grande. Agora Paris está incluída em meus sonhos! Quero visitar cada museu e, assim como a persongem, fazer um pedido no Point Zéro, conhecer a livraria "Shakespeare & Company", além de Notre-Dame, Louvre, Panteão  e tomar um café feito pelos Franceses!

Voltando ao livro, o romance da trama é doce, a protagonista é divertida e espirituosa, e o apaixonante St. Clair me fez suspirar. Eu me identifiquei com a Anna em muitos momentos. O livro parecia que entraria para minha lista de favoritos, pois curti demais a leitura, entretanto chegou a um certo ponto na história que me decepcionei só um pouquinho com certas situações. Mas pensando bem, isto não foi tão ruim, pois significa que as coisas não ocorreram como eu imaginava e isto quebrou o que poderia ter sido óbvio e clichê, contudo tirou um pouco da magia do romance. Ainda assim, não tirou todo o brilho da leitura.
Este é um livro que eu leria de novo, pois acredito que me faria me apaixonar outra vez, por St. Clair e por Paris!

Quero uma edição deste livro em inglês, pois há erros de revisão e diagramação!

Literatura Estrangeira
Título original: Anna and the French Kiss
Editora: Novo Conceito
Publicado em: 2011
Formato: Brochura
Número de páginas: 288
Categoria: Ficção
Idioma: Português
Nota: 5/5

(Deixe seu comentário e depois clique na imagem para concorrer a prêmios! Saiba mais sobre as regras AQUI)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Fallen" de Lauren Kate


"Ela levantou os olhos para Daniel. Suas cores pareciam brilhantes também. Sua pele era dourada e, sob a luz, os olhos eram quase como a chuva. Luce observou - sentindo um misto de confusão e vergonha, e uma tentação maior ainda - enquanto Daniel subia a margem de volta. Um raio de sol passou por entre as árvores e envolveu sua silhueta com um brilho radiante. Como a água cintilava sob a luz do sol, quase parecia que Daniel tinha asas".

Sinopse: Há algo estranhamente familiar em Daniel Grigori. Misterioso, ele captura a atenção de Luce Price desde o momento que ela o vê em seu primeiro dia no internato Sword & Cross, em Savannah, Georgia. Ele é o único brilho em um lugar onde celulares são proibidos, os outros alunos são toscos e câmeras de seguranças acompanham todos os movimentos. Mesmo que Daniel não queira nada com Luce, e faz com que isso fique bem claro, ela não consegue deixar pra lá. Atraída por ele como uma mariposa é atraída por uma chama, ela tem que descobrir o que Daniel está tão desesperado pra esconder, mesmo que isso possa matá-la.


Lucinda "Luce" Price é uma garota que apesar de doce e inteligente é considerada problemática e por muito tempo fez tratamento psiquiátrico. Isso porque há muitos anos ela é atormentada por sombras misteriosas que costumam aparecer sem motivo, hora ou lugar.
Quando um namoradinho da escola, Trevor, é morto em incêndio em um incidente que Luce estava presente, ela se encontra em uma situação delicada tendo que lidar com a investigação da polícia e, famílias e colegas desconfiados de que ela fora responsável pelo falecimento do garoto. Na verdade, ela pouco se lembra do que ocorreu naquela noite fatídica e se sente incerta de ser ou não realmente isenta da responsabilidade de tal fatalidade. É por conta deste fato ocorrido que Luce vai parar na Sword & Cross - um internato para adolescentes problemáticos em Savannah, na Geórgia. E lá, Luce conhece o misterioso e reservado Daniel, e também o prestativo e gentil, Cam.

Sua atração por Daniel é instântanea e, mesmo ele a tratando tão mal, ela sente como se já o conhecesse e sente um enorme magnetismo que a faz querer estar perto dele todo o tempo. Que eles se conhecem de vidas passadas não é surpresa para o leitor, já que o prólogo esclarece este detalhe. Este prólogo gerou polêmica, se bem me lembro, pois muitos disseram que seria mais interessante se fosse lido apenas ao final de toda história para manter o suspense. Eu não achei que alterou muito o fato tê-lo lido na ordem, acho que acrescenta informação e não tira todo o mistério.

O enredo de um modo geral é clichê e previsível, ainda assim no decorrer da leitura dúvidas surgiam e eu queria ler mais para descobrir as respostas. A maior destas perguntas se tratava das tais sombras que perseguem Luce, mas não posso negar que fiquei tremendamente decepcionada com a explicação. Talvez eu esperasse por algo grandioso demais, e me deparei com algo tão... sem graça.

Anjos caídos e vidas passadas são temas que me atraem e acho que é por isso que não descartei a série da minha lista de leituras. Apesar de achar que a autora poderia ter desenvolvido muito melhor a trama, não achei de todo uma leitura ruim, apenas mediana. Luce apesar de ser uma personagem, em muitos momentos, irritante, de certa forma é até suportável. Daniel não chega a ser um charme irresistível, mas da metade para o final ele vai ficando mais interessante. Cam foi o que mais me chamou atenção do começo ao fim e estou curiosa para ler o próximo livro por causa dele, confesso. E, há alguns personagens secundários que são carismáticos.
O desfecho me deixou curiosa, e então só me resta a esperança de que "Tormenta" seja melhor.

Literatura Estrangeira
Editora: Galera Record
Publicado em: 2010 / 1ª Edição
Formato: Brochura
Número de páginas: 406
Categoria: Ficção/ Romance Sobrenatural
Idioma: Português
Nota: 3/5

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Lonely Hearts Club" de Elizabeth Eulbergh


"Eu, Penny Lanne Bloom, juro solenemente nunca mais namorar enquanto viver.
Tudo bem, talvez eu reconsidere essa decisão em dez anos, ou algo assim, (...), mas por hora, não quero mais saber de gaortos. São todos a escória da humanidade, mentirosos e traidores.
Sim, todos eles. A essência do mal.
Claro que alguns parecem ser legais, mas, assim que conseguem o que querem, dão o fora em você e partem para o próximo alvo.
Então, cansei.
Chega de namorar.
Fim."

Penny Lane Bloom cansou de ser magoada e decidiu: homens são o inimigo. Exceto, claro, os únicos quatro caras que nunca decepcionaram uma garota: John, Paul, George e Ringo.
E foi justamente nos Beatles que ela encontrou uma resposta à altura de sua indignação: Penny é fundadora e única filiada do LONELY HEARTS CLUB - o lugar certo para uma mulher que não precisa de namorados idiotas para ser feliz.
O clube, é claro, vira o centro das atenções na escola McKinley. Penny, ao que tudo indica, não é a única aluna farta de ver suas amigas mudarem completamente (quase sempre para pior) só para agradar aos namorados, e de constatar que eles, na verdade, não estão nem aí para elas.
Agora, Penny é idolatra por dezenas de meninas que não querem enxergar um namorado nem a quilômetros de distância. Jamais. Seja quem for. Mas será, realmente, que nenhum carinha vale a pena?

(sinopse do livro)


Antes de tudo, devo dizer que é praticamente impossível ler este livro e não ficar com vontade de ouvir as músicas dos Beatles! Especialmente para os apreciadores da banda, como eu. Durante toda a leitura, as músicas ficavam tocando na minha mente como uma trilha sonora, principalmente a canção "Penny Lane" já que é este o nome da protagonista. Inclusive, enquanto escrevo esta resenha a música toca no minha cabeça!

Dito isto, vamos ao livro:
Com toda certeza TODA garota - ou mulher - se identificará com a Penny ou qualquer outra integrante do Lonely Hearts Club, pois quem nunca teve um coração partido? Quem nunca viu seu príncipe encantado se transformar em um sapo? Quem nunca quis "se aposentar temporariamente" no amor? Mas, a pergunta mais importante é: e quem está ao nosso lado quando tudo isto acontece? Sim, as AMIGAS. Elas estão sempre por perto quando o tal ser do sexo masculino faz com a gente se sinta um lixo, não é? E elas levantam a nossa autoestima e fazem com que a gente se sinta importante no mundo. É sobre isto que se trata o clube criado por Penny. Não é um grupo de meninas despeitadas ou mal-amadas, mas um grupo de meninas que resolvem dizer: "Eu me amo e mereço algo melhor!". E elas se reunem todo sábado, escutam Beatles e ajudam uma as outras, não só a curar um coração partido, mas também a encontrar sua própria identidade e até tirar uma nota melhor naquela prova difícil.
Os personagens são carismáticos, a história é divertida e ainda há um romance SUPER fofo! Eu quero muito um cara como Ryan na minha vida! rs.

Resumidamente, posso dizer que este é o livro mais GRACINHA e FOFO que li este ano, e acho difícil algum outro livro desbancar este STATUS. Eu, praticamente, o li em apenas um dia, pois parecia impossível largá-lo. Sem dúvida, um livro super recomendado!

Literatura Estrangeira
Editora: Intrínseca
Publicado em: 2011 / 1ª Edição
Formato: Brochura
Número de páginas: 240
Categoria: Ficção/ Romance Infantojuvenil
Idioma: Português
Nota: 5/5

quinta-feira, 2 de junho de 2011

"Promessa de Sangue" de Richelle Mead


ATENÇÃO! ESTA RESENHA CONTÉM SPOILER PARA QUEM NÃO LEU O LIVRO ANTERIOR DA SÉRIE "ACADEMIA DE VAMPIROS".
LEIA AS RESENHAS DOS OUTROS LIVROS AQUI.

"Tudo o que importava naquela hora era o que meus olhos enxergavam diante de mim. (...) Não podia ser real. Não depois de todo este tempo.
Dimitri.
Eu o reconheci na mesma hora, muito embora ele estivesse... mudado.
(...) Mas havia semelhança suficiente para balançar meu coração, subjugar os meus sentidos e sentimentos. Minha estaca estava pronta. Tudo o que eu tinha que fazer para matá-lo era continuar a trajetória. Eu tinha a oportunidade em minhas mãos...
(...)
- Roza. - A voz possuía aquela mesma gravidade maravilhosa, o mesmo sotaque... só era mais gélida. - Você esqueceu a minha primeira lição: não hesite."
(p. 249/250)

Sinopse: A vida de Rose Hathaway nunca mais será a mesma. Seu mundo desmoronou após o ataque dos temidosvampiros Strigoi à Escola São Vladimir e a transformação do seu amado Dimitri em um desses monstros.
Ciente de que deve cumprir a promessa feita a ele, a jovem guardiã parte rumo à Rússia para salvar Dimitri de seu sinistro destino. Neste quarto livro da série Academia de Vampiros, ela conhece Sidney, membro de um misterioso grupo de alquimistas, e juntas acabam chegando à casa dos Belikov - a família de Dimitri.
Com esse aparente golpe de sorte, a viagem de Rose parece não estar tão longe de seu desfecho. Contudo, uma série de revelações e imprevistos passa a enredá-la cada vez mais. A dampira percebe que não será tão simples assim completar sua missão e descobre que Lissa, sua melhor amiga, novamente corre perigo.
A quilômetros de distância de São Vladimir, será que Rose encontrará forças para destruir Dimitri? Ou vai se sacrificar para ter a chance de um amor imortal?


É difícil descrever meus sentimentos com relação a esta obra, pois ela despertou reações conflitantes em mim. Ao mesmo tempo que queria fechá-la e deixá-la de lado em alguns momentos, eu simplesmente não podia e não queria largá-la por ser tão viciante - como todos os outros livros da série. Eu precisava de mais, mesmo que isto doesse. Era como se a leitura causasse em mim exatamente o mesmo que Rose sentia por Dimitri.

Em muitos momentos senti meu coração se despedaçar... Seja pelo sofrimento de Rose e seus conflitos em levar ou não adiante seus planos de matar seu amado Dimitri, seja pelo reencontro dos dois e a decepção misturada com um tico de esperança que este acontecimento me causou. Rose é uma personagem forte e cheia de personalidade - se você acompanhou a série até aqui, sabe muito bem disto -, porém nesta trama ela demonstra sua maior fraqueza: Dimitri. Vê-la fraca e subjugada por seus sentimentos por ele é doloroso. E, encontrar um Dimitri tão mudado partiu meu coração. É agoniante. Contudo, Richelle fez o que tinha que fazer. Dimitri é um Strogoi e suas reações não podiam ser diferentes. E, obviamente, a autora não nos deixa totalmente sem esperança. E é por isto que quero tanto o próximo livro.

Depois de Rose e Dimitri - que são praticamente a razão de eu ler esta série - o personagem que mais se destaca a cada livro é Adrian. Ele está cada vez mais charmoso e apaixonante e eu cheguei a desejar em alguns momentos que Rose ficasse com ele. Não ficaria totalmente decepcionada se isto acontecesse. Só um pouquinho, mas não completamente.
Lissa nunca fez muita diferença para mim na história, mas todo mundo diz e eu concordo que nesta obra ela está bem... chata! Tinha vontade de pular estas partes do livro, pois tudo o que eu queria era mais e mais de "Rose e Dimitri". rs
Em suma, além da tensão da ação e do suspense, prepare seu coração que será partido em "Promessa de Sangue".

Literatura Estrangeira
Editora: Agir
Publicado em: 2011 / 1ª Edição
Formato: Brochura
Número de páginas: 448
Categoria: Ficção/
Idioma: Português
Nota: 5/5 ♥

domingo, 15 de maio de 2011

"O Rei do Ferro" de Julie Kagawa


"(...) - Gosto de conhecer meus inimigos antes de começar o combate. Descobrir seus pontos fortes e fraquezas.
- Não estamos em combate...
- Nem todo combate é travado com espadas. - Ash voltou para a cama, pegando a espada e examinando a lâmina. - As emoções podem ser armas letais, (...) você faria qualquer coisa para encontrar seu irmão. Correria perigo, negociaria com o inimigo, abriria mão de sua liberdade, faria qualquer coisa para salvá-lo. E provavelmente faria a mesma coisa por seus amigos, ou por qualquer pessoa de quem gostasse. A lealdade é seu ponto fraco, e seus inimigos certamente o usarão contra você. Essa é sua fraqueza, princesa. O aspecto mais perigoso de sua vida.
- E daí? (...) - Tudo que está me dizendo é que eu não trairia meus amigos e minha família. Se isso é fraqueza, quero ser fraca."
(p.224/225)

Meghan Chase está prestes a completar dezesseis anos e tudo o que mais deseja é tirar sua carteira de aprendiz de motorista. Desde o desaparecimento do pai há dez anos, Meg e a mãe - que casou-se novamente e teve um filho - moram em uma cidadezinha na Lousiana. E até então a vida de Meg é simples e normal. Ela é apaixonada pelo bonito e popular capitão do time de futebol do colégio que nem repara em sua existência e tem um melhor amigo chamado Robbie. Entretanto, quanto mais o seu aniversário se aproxima, mais coisas estranhas começam a acontecer tanto na escola quanto em sua própria casa.
Quando, finalmente chega o esperado dia, tudo vira de cabeça para baixo. Após um dia estranho, Meg chega a sua casa e vê sua mãe caída no chão da cozinha e sua irmão com um comportamento muito estranho. Apesar de estar bem e de dizer ter sido um pequeno "acidente", a mãe de Meg é levada ao hospital pelo marido e Meg fica com o irmão Ethan, que sempre fora tão amável e de repente apresenta um comportamento muito agressivo.
Robbie, então, aparece com sua garrafa de champagne e pronto para comemorar o aniversário de sua amiga, mas quando descobre o que está ocorrendo, parece muito preocupado  e decidi contar a verdade a Meg... A verdade, entretanto, é quase inacreditável.
Robbie conta sobre a Terra da Fadas, onde o verdadeiro irmãozinho - que fora raptado e substituído por um Changeling, que é a prole de um encantado que é colocado no lugar de uma criança humana - se encontra, um lugar cheio de seres encantados, como elfos, fadas, gnomos, duendes, ogros, sereias... Conta sobre sua verdadeira identidade: ele é Robbie Goodfellow, também muito conhecido por Puck, e trabalha para o Rei Oberon e Rainha Titania da Corte Seelie. O pequeno Ethan só poderia estar na Corte Unseelie, liderada pela cruel Rainha Mab, Senhora da Corte de Inverno, Rainha do Ar e da Escuridão.
E aí que a aventura começa! Meg está determinada a encontrar o irmãozinho e trazê-lo de volta para casa.

Eu comecei a ler sem grandes expectativas, e pela leitura das primeiras páginas achei que o livro seria "mais do mesmo". Eu nem tinha ideia do que realmente encontraria no livro, já que foram pouquíssimas as resenhas sobre ele que encontrei pelos blogs literários. Não esperava por algo tão mágico.
Os encantados deste livro me encantaram. Deixaram-me sem fôlego e apaixonada. Sem fôlego com tanta aventura, e apaixonada por cada personagem, especialmente o Príncipe da Corte de Inverno, Ash.

"Os dedos dele apertaram os meus e me puxaram para frente. Assustada e desequilibrada, levantei a cabeça para encará-lo, e foi quando ele me beijou." (p.282)

Apesar de Meg cometer umas burradas de vez em quando, e de me deixar muito apreensiva toda vez que fazia algum acordo ou promessa a um ser encantado (na Terra das Fadas promessas não são quebradas!), eu gostei dela por ser determinada e leal.
Puck também é um personagem incrível; divertido, matreiro, e sempre o protetor de Meg.
O livro é um conto de fada: uma menina que tinha um vida medíocre, descobre ser princesa em um mundo encantado, conhece um príncipe de uma Corte inimiga e eles se apaixonam... Acho que é por isto que este livro se tornou meu favorito. Eu não resisto a um conto de fada.
Entretanto, a história não se resume a isto. Acontece tanta, tanta coisa que mesmo que eu quisesse contar resumidamente, eu  não daria conta. Até a metade do livro eu não fazia a menor ideia do porquê do título do livro, e são tantas as reviravoltas na história que fica impossível de prever qualquer coisa.
Não vejo a hora de ter "A Filha de Ferro" em minhas mãos para devorar, como fiz com este! Sinto uma saudade enorme de cada personagem e me aventurei tanto na trama que se eu não tivesse uma pilha imensa de livros para ler, eu iria relê-lo.
Super recomendo!

Se você é fã de Shakespeare, deve ter reparado em um detalhe: alguns personagens são os mesmos de "Sonho de uma noite de verão". Oberon, Titania, Puck... Eu li esta história, mas faz tanto tempo, que não me recordo muito bem. Fiquei com vontade de reler qualquer dia desses.

Este livro faz parte de um trilogia chamada "Os encantados de ferro" (The Iron Fey):

01. O Rei do Ferro (The Iron King);
02. A Filha do Ferro (The Iron Daughter) - lançamento previsto para Julho de 2011;
03. The Iron Queen - sem tradução e previsão de lançamento no Brasil.

Literatura Estrangeira
Editora: Underworld
Publicado em: 2011 / 1ª Edição
Formato: Brochura
Número de páginas: 349
Categoria: Ficção/ Infantojuvenil
Idioma: Português
Nota: 5/5 ♥

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Em chamas" de Suzanne Collins


Esta resenha contém SPOILERS para quem não o primeiro livro da trilogia!  Se desejar, leia a resenha do primeiro livro "Jogos Vorazes" AQUI!


Sinopse: Depois da improvável e inusitada vitória de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos últimos Jogos Vorazes, algo parece ter mudado para sempre em Panem. Aqui e ali, distúrbios e agitações dão sinais de que uma revolta é iminente. Katniss e Peeta, representantes do paupérrimo Distrito 12, não apenas venceram os Jogos, mas ridicularizaram o governo e conseguiram fazer todos - incluindo o próprio Peeta - acreditarem que são um casal apaixonado. 
A confusão na cabeça de Katniss não é menor do que a das ruas. Em meio ao turbilhão, ela pensa cada vez mais em seu melhor amigo, o jovem caçador Gale, mas é obrigada a fingir que o romance com Peeta é real. Já o governo parece especialmente preocupado com a influência que os dois adolescentes vitoriosos - transformados em verdadeiros ídolos nacionais - podem ter na população. Por isso, existem planos especiais para mantê-los sob controle, mesmo que isso signifique forçá-los a lutar novamente.


Quando terminei de ler o primeiro livro da trilogia chamado "Jogos Vorazes" (The Hunger Games) tive aquela sensação desesperadora de ansiedade pelo próximo livro, e agora que finalmente pude ler a sequência "Em chamas" (Catching Fire) esta mesma sensação me assoma. Preciso desesperadamente do próximo e último livro "Mockingjay". Além, é claro, da terrível depressão pós-livro que sempre surge quando finalizo a leitura de uma obra que gosto demais!
Estes sentimentos vem à tona porque há vários elementos na obra que eu adoro: a narrativa de Suzanne Collins é envolvente - é fácil adentrar a história e esquecer completamente do mundo -, dá o tom certo de dramaticidade a trama e faz dos conflitos psicólogicos de Katniss muito verossímeis. Eu adoro o enrendo que traz uma bagagem crítica  à sociedade e adoro como podemos fazer um reflexão disto, afinal quem disse que não se pode mudar as regras do jogo? Quem disse que temos que simplesmente aceitar? Quem disse que não há outros caminhos e que não há esperança? Eu ainda não finalizei a trilogia, mas tenho esperanças por Panem. Em um gesto simples e corajoso, Katniss transforma Panem, dá esperança a população cansada, maltrada, ferida - de todas formas - dos distritos e cria, inconscientemente, uma rebelião. Sendo o seu tordo usado nos Jogos o símbolo desta revolução.
O desfecho do enrendo é eletrizante. Seu final é chocante e totalmente inesperado! E, como eu já disse, me deixou doente pela continuação!

"Só quero passar todos os minutos possíveis do resto da minha vida com você". Peeta (p. 258)

Por fim, há o romance. O triângulo amoroso que divide os leitores em "Team Peeta" e "Team Gale". Sou "Team Peeta" assumida! E devo dizer que ele, neste livro, está ainda mais e mais apaixonante. Eu realmente espero não me decepcionar no fim desta trilogia. E, se há algo que me irritou um pouco durante a leitura é a indecisão de Katniss. Também acreditei que conheceria melhor Gale, e não foi o que aconteceu.
Devo avisá-los que este segundo livro possui um ritmo diferente do primeiro. A obra que é dividida em três partes: "A fagulha", "O massacre" e "O inimigo", só terá ação após a terceira parte. Até lá, o ritmo é tanto morno quando comparado ao "Jogos Vorazes". Mas ainda assim, devorei o livro, não consegui largá-lo um minuto sequer - com exceção para cumprir certas obrigações da vida, tipo trabalhar, affff... - pois é simplesmente viciante! Esta trilogia faz parte dos meus favoritos e eu super recomendo!

" - Ninguém realmente precisa de mim - diz ele, e não há nenhuma autocomiseração na voz dele. (...) Percebo que apenas uma pessoa ficará irreversivelmente devastada pela morte de Peeta. Eu.
- Eu preciso - digo. - Eu preciso de você. (...) Então, antes que ele possa falar, paro os lábios dele com um beijo." (p. 373)

Literatura Estrangeira
Editora: Rocco
Publicado em: 2011 / 1ª Edição
Formato: Brochura
Número de páginas: 416
Categoria: Jovem Adulto / Ficção
Idioma: Português
Nota: 5/5

sábado, 26 de março de 2011

"Mentes Roubadas" de Roberto Campos Pellanda

 Esta resenha foi feita pela Adriana Ornellas, do blog "A menina do fim da rua", especialmente para "O mundo de tinta". Muito obrigada, Dri!
  
A coisa mais normal para um bookaholic é não resistir a tentação de comprar mais e mais livros. Isso vem do desejo de possuir tantos livros quanto puder e saber que ele estará bem ali na estante na hora e momento que quisermos ler. Mas e se você descobrisse que esse desejo não é realmente seu, que você foi condicionado a ter esse desejo? 
Em Mentes roubadas, o autor Roberto Campos Pellanda mexe com essa teoria da conspiração que está cada vez mais presente em nossa sociedade mas que não é uma idéia tão antiga e desconhecida da literatura assim. Em 1932, foi publicado o livro Admirável mundo novo, de Aldus Huxley, que narrava a história de uma sociedade onde as pessoas eram programadas biologicamente para viverem em plena harmonia e obedecerem ao sistema de casta imposto. Para garantir a plena aceitação, todos eram medicados com a droga Soma ao longo de sua vida.
O argumento de Mentes roubadas é diferente do proposto em Admirável mundo novo e traz um enredo mais atual e possível dentro da nossa realidade, entretanto, sua história demonstra o quanto estamos vulneráveis a poderes desconhecidos para nós, assim como os personagens da sociedade de Huxley.
Por trás de toda história que envolve grandes feitos, encontra-se um homem de grandes poderes, em Mentes roubadas, Siegfried Maximiliano cumpre esse papel. Dono de um conglomerado de empresas, o Sr. Siegfried tem um filho com doença mental que some do hospital psiquiátrico em que mora. O rapaz simplesmente some sem deixar vestígios. Há câmeras de vigilância, mas ninguém foi filmado entrando ou saindo do hospital ou do quarto do rapaz e não há nenhuma pista de que o quarto tenha sido arrombado. Tudo está do mesmo jeito, só o rapaz não está em seu quarto.
Para investigar esse desaparecimento, é chamado o detetive Paulo. Ele é o avesso dos estereótipos dos detetives: muito bem casado e sem filhos problemáticos. Seu parceiro é Miguel, jovem e musculoso, contrapõe e completa Paulo. Enquanto um é guiado pela intuição, o outro traz a racionalidade; um é exímio em decifrar pessoas, o outro é um ótimo conhecedor da tecnologia. Acredito que a fuga dos estereótipos foi proposital por parte do autor, além de se mostrar mais original, pode se concentrar na história e não ter histórias dramáticas paralelas da vida do detetive.
Com essa trama, Roberto nos apresenta vários fatos e personagens, todos urdidos numa teia de acontecimentos que definiram um plano grandioso de controle de algumas de nossas vontades, como a decisão de comprar ou não determinado produto.
Uma curiosidade (pessoal) sobre a história é que bem no comecinho do livro, o filho super inteligente do detetive Paulo cita os números de Fibonnaci e eles são recorrentes em livros, filmes ou episódios de seriados em que se fala de padrão de comportamento.  Eu não entendo absolutamente nada de matemática, zero daquela matemática que aprendemos no colégio e zero de linguagem matemática, que acho ser o mais apropriado quando se fala de números de Fibonnaci. Já ouvi a explicação tantas vezes, que já sei o que é (é uma sequencia numérica onde cada número é a soma dos dois anteriores , por exemplo, 1 , 1, 2, 3, 5, pois 1+1 = 2, 2 + 1 = 3 e por assim vai...) mas não entendo o significado e o que eu não entendo é o que isso tem demais (desculpem os matemáticos que lerem isso!). O que isso influência no comportamento de uma pessoa? Ou melhor: como isso ajuda a determinar (e prever) o padrão do comportamento de uma pessoa? Por alto, pelo o que me lembro, além de ser citado em Mentes roubadas, os números de Fibonnaci já teve importância em filmes (A sala de Fermat, Enigmas de um crime), episódios de séries (como em Criminal minds) e livros (Em busca de Klingsor).
Enfim, não precisa conhecer linguagens matemáticas para entender e gostar dessa história. Tudo é muito bem explicado e, apesar da história ser bem rocambolescas, todos os personagens e fatos se juntam num final bem amarrado.
Quem é fã do gênero policial vai gostar do livro por ter um tema original de uma forma pouco caricata. E quem não curte muito o gênero também vai gostar: o livro tem um ritmo dinâmico e bastantes reviravoltas.
O autor Roberto Campos Pellanda tem 34 anos, é médico radiologista e mora em Porto Alegre.
Por Adriana Ornellas


Literatura Nacional
Editora: Porto de Ideias
Publicado em: 2009 / 1ª Edição
Formato: Brochura
Número de páginas: 208
Categoria: Ficção
Idioma: Português
Nota: 3,5/5

sábado, 29 de janeiro de 2011

"Quem é você, Alasca?" de John Green


"Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la em meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha um namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuvas, eu era a garoa e ela, um furacão". (pág. 91)

Miles Halter é um jovem sem amigos, sem namorada e fissurado por últimas palavras. Ao ler a biografia do poeta François Rabelais descobre que suas últimas palavras foram "Saio em busca de um Grande Talvez", o que faz Miles decidir que não quer esperar a morte para sair em busca deste Grande Talvez. Resolve então estudar em Culver Creek, o mesmo colégio interno que seu pai, seus irmãos e seus primos estudaram, saindo do calor da Flórida amenizado pelo ar-condicionado para o calor singular do Alabama.
Seu colega quarto em Culver Creek é Chip Martin, também conhecido como o Coronel, um bolsista com uma capacidade incrível de memorizar as coisas. Ele fuma muito, não dispensa uma bebida e  detesta os chamados "Guerreiros de Dia de Semana" que são os riquinhos do colégio que passam o fim de semana com os pais em suas mansões. O Coronel apresentará Miles - como "Gordo" por ser muito magricela - para seus amigos: o japonês Takuma e a linda garota de olhos verdes chamada Alasca.
Alasca é uma garota impulsiva - daquelas que nunca deixam de fazer o que querem e dizer o que pensam -, é temperamental - seu humor oscila com grande frequência -, é enigmática e principalmente é daquele tipo que sabe ser sexy e que os garotos facilmente se apaixonam, especialmente os garotos como Miles. Mas ela tem um namorado: Jake, um bolsista em Vanderbilt que toca baixo em uma banda. Ela também é apaixonada por livros - grandes clássicos e poesias - e o seu favorito é "O General no seu labirinto" de Gabriel Garcia Marquez no qual diz ser as últimas palavras de Simón Bolívar: "Como sairei deste labirinto?". Esta frase tem grande relevância a história, introduzindo Miles, seus colegas e nós, leitores, a grandes reflexões. Eu poderia ficar devaneando sobre isto, filosafando sobre a frase, mas seriam opiniões particulares e não quero soltar nenhum spoiler. O fato é que todos nós temos uma razão para sermos o que somos; são as experiências, os sofrimentos que passamos que nos molda para a vida, a vida que nos foi dada. E Alasca tem uma razão para ser o que é; para agir como age; e para todas as suas mudanças, aparentemente, incompreensíveis de humor. Eu me compadeci  por ela. E, por Miles.
O livro se trata do crescimento de Miles: conhecendo a amizade e o amor, mas principalmente descobrindo a vida e questionando a morte. Sua narrativa em primeira pessoa revela suas reflexões sobre estas experiências. Sua história me rir muito e me fez chorar muito também. E, principalmente, me fez refletir junto com o personagem. E dentre destas muitas reflexões, destaco a importância de aprendermos a perdoar a nós mesmos. Debates sobre religião, de modo neutro, também não faltou na história. 
Se você procura por uma história que o faça pensar - sem ser chato em momento algum-, NÃO deixe de ler este livro.
E, ao fim, fica a questão: "Quem é você, Alasca?" que assim como a vida nos deixa sem respostas para algumas perguntas, e sem a certeza de nada.
 
Título original: Looking for Alaska
Editora: WMF Martins Fontes
Publicado em: 2010 / 1ª Edição
Formato: Brochura
Número de páginas: 229
Categoria: Ficção/ Literatura Juvenil
Idioma: Português
Nota: 5/5

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"Cilada" de Harlan Coben


Assim como no livro "Confie em mim", Harlan Coben apresenta neste livro histórias paralelas que vão se entrelaçando conforme o avanço da leitura e assim encaixando cada peça do quebra-cabeça.

Em "Cilada - Ninguém consegue escapar das próprias mentiras" ocorre a seguinte trama:

Dan Mercer é um assistente social divorciado que cresceu sob a guarda provisória de diversas famílias, mesmo com as muitas dificuldades consegue se formar em Princenton - uma das melhores univerdades do país - e agora trabalha em um centro comunitário como treinador de basquete.
Em um dia fatídico, ele recebe a ligação de uma garota chamada Chynna que pede a ele para que a encontre em sua casa. Preocupado, imaginando que a garota poderia estar com algum problema - e contrariando a sua intuição - Dan vai ao encontro de Chynna e lá se depara com câmeras de TV e a repóter Wendy Tynes que desmascara pedófilos que atraem crianças utilizando a internet em rede nacional. Dan vai a julgamento e é inocentado por falta de provas, porém sua vida está arruinada e sua reputação perante a sociedade também, que o julga e o despreza. Ele se vê obrigado a se mudar de tempos em tempos e se esconder como fugitivo de pais raivosos que não aceitam a decisão da justiça e não confiam no sistema judiciário.
Wendy Tynes está convicta de que Dan é culpado, mesmo que a ex-mulher dele afirme com uma convicção ainda maior que isto não é possível, mas ela precisa ir à fundo na investigação pois seu emprego está por um fio e seu renome como jornalista está sujo desde o veredicto. Ela não poderia ter arruinado a vida de um homem inocente, poderia?
Para piorar, um dos pais raivosos que procuram por vigança no caso de Dan, procura Wendy para convencê-la a ajudar em um plano de execução. Se a justiça não cumpriu seu papel, que seja então feita pelas próprias mãos, certo? Wendy recusa, mas naquele mesmo dia tinha um encontro marcado com Dan para uma conversa; ninguém sabe seu endereço além de Wendy e quando ela chega ao local - um trailer em um lugar um tanto deserto - fica espantada ao ver Dan com a cara toda esmurrada. Entretanto, eles mal têm tempo de conversar, um homem mascarado invade o local e atira em Dan na frente dela, e apesar do assassino estar todo coberto, Wendy consegue reconhecer nele o mesmo relógio do homem que a procurou aquela tarde.
Pararelo a história de Dan Mercer e Wendy Tynes, está a garota desaparecida Haley McWaid de 17 anos. Uma garota bonita, estudiosa, que sonha entrar para uma boa faculdade, mas que uma noite não retorna para casa e meses se passam sem que haja notícias dela. O que terá acontecido com Haley? 

Esta é uma história que, para mim,  foi totalmente imprevísivel e durante a leitura me deixou com tantas dúvidas e lacunas para preencher que logo me encontrei presa a trama. A narrativa de Coben é fluente e ele alterna em cada capítulo o foco da história, ao menos ao início enquanto as histórias permanecem paralelas, contudo aos poucos elas vão se entrelaçando.
Até as últimas páginas fiquei em dúvida se Dan realmente era ou não um pedófilo, e todos os personagens de uma forma ou de outra foram me surpreendendo no desenvolver de história; todos têm seus segredos guardados: culpas, medos, mentiras, fatalidades escondidos.
O autor cita temas atuais em suas obras, nesta ele trata da pedofilia e o bullying, e também retrata a importância do perdão.
Eu não sou muito fã de romance policiais, li alguns mas são poucos os que conseguem me prender. Para se ter uma ideia, o último livro de Agatha Christie que li, demorei mais de um mês para terminar. Como não são muitas as histórias do gênero que li, talvez eu seja suspeita para dar minha opinião se não tenho muito com o que comparar. Entretanto, eu gostei bastante desta obra e quero ler mais livros de Harlan Coben, pois foi um dos poucos autores do gênero que conseguiu me cativar.

Editora: Sextante
Publicado em: 2010
Formato: Brochura
Número de páginas: 272
Categoria: Ficção/Policial
Idioma: Português
Nota: 4/5


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Perfect You" de Elizabeth Scott


Kate Brown é uma adolescente de 16 anos que tem passado por situações difícieis. Seu pai largou o emprego para vender vitaminas da marca "Perfect You" - que promete milagres - em um estante no shopping e Kate é obrigada a trabalhar com ele, o que para ela é uma grande vergonha: o que o pessoal do colégio irá pensar, ou pior, irá dizer sobre isto? Será que sua família irá suportar a crise financeira, já que o pai de Kate investe muito mais do que ganha? Em casa tudo está prestes a desmorronar, enquanto todos fingem estar tudo bem. 
Além disso, sua única e melhor amiga Anna voltou de viagem magérrima e começou a ignorá-la totalmente e agora anda com o grupo mais popular do colégio, namora o cara mais cobiçado e age como se Kate não existisse. Entretanto, Kate sente uma falta imensa da amiga.
E, tem o Will. Um cara lindo que Kate detesta - ou finge detestar - que já ficou com metade das garotas do colégio e agora parece não largar do pé dela, seja no trabalho ou no colégio, ele sempre aparece para perturbá-la e ela não quer se render e ser mais uma das conquistas dele. Além disso, ela o odeia, não é?! Será mesmo?

Como gostar de uma personagem que reclama o tempo todo e que sempre vê o pior das pessoas e das situações, agindo como se somente ela tivesse problemas e os seus problemas fossem os maiores do mundo? Além de ser óbvio que Kate não tem nada de autoestima: ela se sujeita a continuar amiga de Anna, mas sem que ninguém mais saiba para não sujar a reputação da suposta amiga, e o tempo todo diz para si mesma que Will está usando-a ou tirando com a cara dela, afinal que garoto poderia estar interessado em alguém como ela? Kate nunca escuta o que ele tem a dizer, e sempre, sempre tira conclusões precipitadas.  Não, eu não gostei da Kate. Entretanto, são suas respostas afiadas e sarcáticas, as provocações entre ela e o Will e os mal-entendidos entre os dois que dá o toque divertido ao livro.
O melhor conselho que Kate recebe é de quem ela menos espera, sua avó aparentemente fútil e quem ninguém parece suportar, diz um dia:

"You tell yourself that you're aren't something or that you can't be something, and you know what? It will become true. You have to decide who you are and what you can do and then go after what you want. Because believe me, no one is going to give it to you."

A leitura vale a pena pelo Will, por ele mostrar como uma pessoa pode ser muito mais do que o que dizem sobre ela se dermos uma chance de conhecê-la. Além disso, ele é extremamente paciente com inseguranças de Kate, e não desisti nunca! Adoro homens - ou no caso, garoto - persistentes!
Outra detalhe que gostei foi como a história termina. Não com tudo se resolvendo e ficando lindo e perfeito no final, mas com algumas coisas dando certo e outras, não. Porém o que aparentemente não termina bem, acaba se tornando algo não tão ruim assim.  Afinal, tudo muda, as pessoas mudam e a gente segue em frente assim mesmo.  Os problemas existem para nos fazer crescer. E assim é a vida.

O livro tem um inglês fácil, para quem quer treinar é uma boa dica começar por ele.

Editora: Simon & Schuster
Publicado em: 27/ Maio/ 2008
Formato: Paperback
224 pages
Categoria: Ficção/Romântica
Idioma: Inglês
Nota: 3/5

terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Jogos Vorazes" de Suzanne Collins



A história se passa em um futuro sem data anunciada em um cenário pós-apocalíptico. A antiga América do Norte - ou melhor, o que sobrou dela - agora é chamada de Panem, é dividida em doze distritos e governada pela Capital à ferro e fogo.
Katniss Everdeen desde que perdeu o pai há cinco anos atrás - quando tinha apenas 11 anos - cuida da mãe e da irmã mais nova, Prim, utilizando da caça clandestina - junto com seu grande amigo Gale - na floresta ao redor do Distrito 12, onde vive: o Distrito mais pobre de todos, onde as pessoas literalmente morrem de fome. Como se não bastante tanto sofrimento e tanta luta para sobreviver, os jovens dos distritos rezam para não serem os próximos a participar do sangrento jogo que a Capital promove anualmente como uma maneira de demonstrar todo o seu poder, demonstrar como jamais poderão se opor a suas ordens e a suas forças. "Jogos Vorazes" é um reality show onde há apenas um vencedor e cuja única regra é "matar ou morrer". Neste jogo há 24 participantes, um garoto e uma garota de cada um dos doze distritos, com idades entre 12 a 18 anos. A garota sorteada para representar o Distrito 12 é Prim Everdeen que possui apenas 12 anos, e sem suportar a ideia da possibilidade de perder a irmã neste jogo, Katniss decide ir no lugar da irmãzinha ao lado do sorteado Peeta Mellark, o filho do padeiro que jamais passou fome como Katniss - mas que já a salvou anos antes impedindo que ela morresse de fome - e que nem mesmo a família acredita na possibilidade de sobrevivência do jovem.
E, então, o pesadelo dos dois jovens está prestes a começar.

"A história me fez passar várias noites em claro porque, mesmo quando terminava de ler, ficava acordada pensando. Jogos Vorazes é surpreendente!" Stephenie Meyer

Meu primeiro contato com o livro foi na Bienal do Livro de São Paulo, quando uma amiga o viu entre tantos os outros e achou interessante. O que mais me chamou a atenção foi o comentário de Stephenie Meyer sobre a obra, entretanto como a capa, a sinopse e principalmente o preço não me atraíram de imediato, não comprei o livro. Quando pesquisei no skoob sobre ele, fiquei supresa com a nota alta e as resenhas muito elogiosas, e finalmente depois de muitos blogs por aí divulgarem o quanto o livro é maravilhoso, eu não resisti e comprei meu exemplar. Assim que o recebi não pensei duas vezes em deixar todas as outras leituras de lado, e digo que valeu muito, muito mesmo, a pena.
Logo nas primeiras páginas já percebi que Suzanne Collins sabe passar emoção em sua narrativa, transformando-a em verdadeiras cenas que fluem facilmente em nossa mente como em um filme. Cá entre nós, eu detesto quando um autor peca na falta de descrição, deixando "buracos" na minha imaginação ao descrever um lugar, situação ou personagem, e isso tende a acontecer em ficções como esta, com  o cenário futurístico, ou em livros de fantasia onde o autor recria todo um novo mundo.  Eu, honestamente, prefiro quando o autor peca pelo excesso. Contudo, em nenhum desses dois casos se enquadra a narração de Suzanne Collins que desenvolve suas descrições na medida certa o que torna a leitura ágil e extremamente envolvente.
Não posso deixar de comentar sobre a excelente construção dos personagens. Katniss é corajosa, mas têm seus momentos de fraqueza - adoro quando ela finalmente chora e diz que tudo que quer é voltar para casa -, em muitos momentos se sente emocionalmente confusa, pensando toda hora em Gale e sem saber se confia ou não em Peeta; ela luta com todas as forças para voltar para casa pela sua mãe e principalmente sua querida irmã, mesmo que isso signifique que tenha que entrar na armação de Haymitch e Peeta.
Já Peeta... bem, eu me apaixonei e depois me decepcionei para novamente me apaixonar e me decepcionar até finalmente terminar a leitura apaixonada por ele. Acho que fica evidente que nos sentimos emocionalmente confusa com relação a Peeta junto com a protagonista. Até o último momento não tinha certeza do que era real e do era apenas um jogo.
O romance que surge entre Peeta e Katniss torna a história ainda mais interessante, mas o livro nos traz muito mais: há muita ação, suspense, momentos violentos e sentimentos tensos e intensos. E, claro, momentos de tristezas e revoltas que sentimos por e com a protagonista.
E, exatamente como Stephenie diz, não há como fechar o livro e deixar de pensar, e pensar, e pensar... Pois este é um livro impactante e inesquecível!

Agora, um apelo:

POR FAVOR, EDITORA ROCCO, NÃO DEMORE UMA ETERNIDADE PARA LANÇAR O PRÓXIMO LIVRO!!!

Para quem não sabe, "Jogos vorazes" é o primeiro livro de uma trilogia, e para conhecer mais sobre cada um dos livros, deixarei o link em cada título de um blog cujas resenhas eu gostei muito e não contêm spoiler:

01. The Hunger Games ("Jogos Vorazes", 2010)

A trilogia foi inspirada no mito grego de Teseu e o Minotauro, para saber mais CLIQUE AQUI.

COLLINS, Suzanne. Jogos vorazes; tradução: Alexandre D'Elia. - 1ª edição - Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2010. Título original: The Hunger Games (vol. 01).