Mostrando postagens com marcador Clássicos da Literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clássicos da Literatura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Matilda" de Roald Dahl


Matilda é uma menininha de inteligência excepcional. Com apenas um ano e meio de idade já falava perfeitamente e possuia um vocabulário tão amplo quanto um adulto; aos três anos já tinha aprendido a ler e aos quatro frequentava a biblioteca da cidade. Antes de ter idade para frequentar a escola, ela já tinha lido todos os livros infantis da biblioteca e muitos dos clássicos adultos, como as obras de Charles Dickens, Jane Austen, Ernest Hemingway, George Orwell e outros.
Os pais de Matilda não aprovavam o comportamento da menina e a consideravam estranha por preferir ler a assistir televisão.

"- Papai, será que você pode me comprar um livro? - ela pediu.
- Um livro? - o pai se espantou - Para que você quer um livro?
- Para ler, papai.
- Mas e a televisão? Compramos uma TV linda, de doze polegadas, e você vem me pedir um livro! Você anda muito cheia de vontades, menina!" (pág. 06)

O pai dela, Sr. Losna é um vendedor de carros dos mais pilantras que adora contar vantagens sobre como engana os seus clientes, especialmente para o seu filho Michael para quem gosta de ensinar suas trambiques.
É claro que Matilda - que mesmo tão pequena sabe que o que seu pai faz é desonesto - desaprova as atitudes dele. Cansada de ser maltratada e injustiçada por ele a menina planeja muitas travessuras como: passar cola no chapéu do pai para que fique colado em sua cabeça e trocar o seu tônico capilar por tintura loiro platinado extra forte.
A Sra. Losna estava sempre apoiando seu marido e ignorando por completo a filha.

"O pai de Matilda tinha cabelos pretos que usava repartidos no meio e dos quais tinha muito orgulho.
- Cabelos bons e fortes significam que há um cérebro bom e forte por baixo - ele dizia.
- Como Shakespeare - Matilda comentou certa vez.
- Como quem?
- Shakespeare, papai.
- Ele era inteligente?
- Muito, pai.
- E ele tinha muito cabelo, não é?
- Ele era careca, pai."  (pág. 55)

Logo Matilda começa a frequentar a escola e já em seu primeiro dia de aula deixa sua professora, a Srta. Mel, boquiaberta com sua facilidade em fazer cálculos e sua leitura fluente. Além de inteligente, a menina demonstra ser muito bem comportada e assim nasce uma bela amizade entre aluna e professora.
Entretanto, os alunos daquela escola têm de enfrentar um pesadelo: a diretora, a Sra. Taurino, é uma mulher grande e forte que destesta crianças e adora maltratá-las e humilhá-las, inclusive Matilda!

O livro é divertido e de leitura fácil, como um livro infantil deve ser. Mas o que dá este ar cômico são os exageros, principalmente na caracterização dos personagens, pois o enredo em si é triste por se tratar da história de uma criança que é desprezada pelos pais - ignorantes! - que não sabem lidar com precocidade da filha. As travessuras da menina são as únicas defesas que ela encontra contra isto. E eu me vi torcendo por ela e as demais crianças da escola em cada uma de suas armações! Ou seja, voltei a ser uma criança durante a leitura!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

"A dama das camélias" de Alexandre Dumas Filho


Sinopse: Armand Duval é um jovem estudante de Direito na Paris de meados do século XIX. Jovem recatado, vindo de uma respeitável família burguesa interiorana, apaixona-se por Marguerite Gautier, nada mais nada menos que a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros parisienses. Marguerite - vendida, corrompida, perdulária, amante de vários homens - corresponde ao amor do jovem, que provoca uma reviravolta na vida da jovem prostituta. Mas o futuro dos dois amantes enfrenta os mais rígidos obstáculos. Escrito pelo francês Alexandre Dumas filho a partir da sua experiência autobiográfica com a cortesã Marie Duplessis, "A dama das camélias" é uma das mais célebres narrativas longas do século XIX - o próprio século de ouro do romance europeu.

O livro conta uma história de amor excessivamente sentimental e com um enredo que dá aquela sensação de "eu já ouvi esta história antes"- pelo menos assim foi para mim. Não há nada de muito surpreendente, até porque a história começa contada pelo 'fim'. Mas por alguma razão o livro me prendeu; talvez pela narração envolvente, talvez pelo amor tão genuíno entre a cortesã Margarida e o eterno enamorado Armand Duval que, vez ou outra, me dava nos nervos por ser tão melindroso e ciumento, porém o seu amor por Margarida é por demais intenso para que suas atitudes fossem diferentes. E, Margarida é uma personagem que me cativou - não logo "de cara", mas com o passar da história fui me compadecendo por ela.
"A dama das camélias" é uma daquelas histórias de amor que por mais clichê e melodramática que seja, não conseguimos largar a leitura - quer dizer, pelo menos eu não consegui; e mesmo já sabendo como tudo irá terminar não há como segurar as lágrimas pelo casal que vive uma história de amor tão terna, curta e intensa. Um clássico que vale a pena a leitura, principalmente para quem gosta de ler tristes histórias de amor!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

10 livros em 10 dias! #10

10° dia - Livro mais velho que eu li.

"Romeu e Julieta" de William Shakespeare


Sinopse: O amor apresenta-se à vida de Romeu e Julieta de modo traiçoeiro: ambos apaixonam-se instantaneamente, em uma festa-baile de máscaras, desconhecendo a identidade um do outro. Ele é filho dos Montéquio, e ela, dos Capuleto, duas das mais poderosas famílias de Verona, inimigas entre si. Desobedecendo às restrições familiares e políticas, eles vivem a sua paixão explosiva e deseperançada, naquela que se tornou a mais famosa história de amor da literatura ocidental, além de uma das mais populares tragédias shakespearianas.

O último dia do desafio - quem quiser confirir os posts antigos e entender melhor sobre o que se trata é só clicar AQUI - trata sobre o livro mais velho que eu já li. Bem, sem dúvida, foram os livros de Shakespeare! Não li muitos do autor e quase todos dos que li foi em versão infanto-juvenil há muitooo tempo. Por isso, escolhi o único livro que li na íntegra do dramaturgo que foi "Romeu e Julieta", e foi citado no blog na seção "Cine & TV" em que eu falei sobre a adaptação do clássico para a tela na versão de 1968.
Não há muito o que falar da obra. Seja pela TV, por uma peça de teatro ou por livros, não há quem não conheça uma das mais trágicas história de amor de todos os tempos. Eu adoro!
William Shakespeare escreveu esta peça "entre 1591 e 1595, nos primórdios da carreira literária, sobre dois adolescentes cuja morte acaba unindo suas famílias, outrora em pé de guerra." (trecho tirado do site Wikipédia).
Eu gostei bastante de participar deste desafio, mas devo que estou aliviada por ter finalmente terminado! Ufaa.. cansou! rs.

terça-feira, 1 de junho de 2010

10 livros em 10 dias! #7

7° dia - Livro que eu mais recomendo!

"Jane Eyre" de Charlotte Brontë


Sinopse: Conta como Jane, órfã de pai e mãe vive infeliz em casa da tia que a detesta. Após um confronto com esta, Jane é enviada para uma escola e após seis anos como aluna e mais dois como professora, decide procurar uma nova posição. Encontra-a em Thornfield Hall, como preceptora da jovem Adèle, a pupila de Edward Rochester, por quem se apaixona.

Eu sou apaixonada pelas obras das irmãs Brontë e não poderia deixar de citar ao menos uma neste desafio! E não posso deixar de dizer que foi uma verdadeira crueldade fazer esta escolha!
Confesso que possuo uma empatia muito grande pela persongem criada por Charlotte - Jane Eyre. Sua história de vida sofrida me comove e sua moral intacta - mesmo diante de escolhas que põe em risco sua felicidade - me admira! E, sim, eu gosto do Sr. Rochester com toda a sua acidez e decepção pelas circunstâncias de sua vida.
Para quem gosta de romances sombrios e sofridos com cenário gótico, eis a dica.
 
Esta é a minha resenha que fiz no SKOOB:
 "A história de Jane Eyre, criada por Charlotte Brontë, é uma história de muito sofrimento. Jane é feia, pobre e não tem família, ao menos não uma que a ame. Órfã, Jane é deixada pela tia que deveria criá-la em um internato frio e sombrio, onde cresce sem afeição. Lá ela percebe que, como não tem ninguém no mundo, seu único caminho é dedicar aos estudos para tornar-se, um dia, preceptora.
Jane cresce e consegue o emprego na casa do Sr. Rochester, um homem solitário, de uma acidez de humor única e que deficilmente se encontra em casa, pois está sempre viajando pelo mundo - uma forma de fugir de um passado que o assombra.
Rochester gosta de Jane por sua sinceridade, pureza - até então Jane não conhece nada do amor e do ciúme - e simplicidade, e o romance que sutilmente desenrola entre eles é um dos mais bonito que já li.
Um romance que ultrapassa as futilidades mundanas, um amor de alma e não de aparências e riquezas. Os dois se completam e simpatizam de forma tão genuína que torna este livro o meu favorito entre todos os das irmãs Brontë."

Há também diversas adaptações para o cinema e TV desta magnífica história, porém só assiti a versão de 2006 da série da BBC. Eu amei! Muitooo!

Confiram o trailer:


quarta-feira, 26 de maio de 2010

10 livros em 10 dias! #1

O blog "Partes de um diário" está promovendo um desafio super legal. Eu adorei e quero participar! Não é bem o que você imagina... Não é para ler 10 livros em 10 dias. Na minha atual situação seria impossível! O trabalho consome muito o meu tempo, além dos extras como ir ao banco, supermercado, enfim... Voltando ao assunto, a ideia é falar - criar um  post - sobre os livros, um por dia, seguindo os seguintes temas:


1° dia - Livro que você mais gostou;
2° dia - Livro que você mais odiou;
3° dia - Livro mais barato que você comprou;
4° dia - Livro mais caro que você comprou;
5° dia - Livro que mais te fez ter a atenção nele;
6° dia - Livro que menos te fez ter a atenção nele;
7° dia - Livro que você mais recomenda;
8° dia - Livro que você menos recomenda;
9° dia - Livro que série você mais gosta e
10° dia - Livro mais velho que você tem ou leu.

Legal, não é?!
Pois é, e para participar basta:

Passar para 4 blogs (ou mais se quiser);
Dizer quem passou o desafio.

Eu indico o post para os blogs:

Livros, filmes e músicas
A menina no fim da rua
Livromaníaca
Um cantinho pra chamar de meu
365 livros por ano

1° dia - Livro que eu mais gostei:

Bem, quem me conhece até já sabe minha resposta. Este é o livro que está no topo da minha lista de leituras, o livro que eu mais amo. A história em que eu gostaria de viver, que adoraria ser a personagem principal. O meu romance favorito é "Orgulho e Preconceito" de Jane Austen (para conferir a lista dos meus livros favoritos CLIQUE AQUI).  E você deve se perguntar, como eu não fiz antes um post falando deste livro - que é o meu favorito - aqui no blog. Eu digo que queria criar um post especial, com uma resenha incrível, para deixar a todos com "água na boca" e loucos por devorar o livro! rs. Por isso, por mais que eu esteja comentando sobre o livro agora - por conta do desafio - podem ter certeza que ainda farei um post especial sobre esta obra por aqui!

Sinopse: O romance retrata a relação entre Elizabeth Bennet (Lizzy) e Fitzwilliam Darcy na Inglaterra rural do século XVIII. Lizzy possui outras quatro irmãs, nenhuma delas casadas, o que a Sra. Bennet, mãe de Lizzy, considera um absurdo. Quando o Sr. Bingley, jovem bem sucedido, aluga uma mansão próxima da casa dos Bennet, a Sra. Bennet vê nele um possível marido para uma de suas filhas. Enquanto o Sr. Bingley é visto com bons olhos por todos, o Sr. Darcy, por seu jeito frio, é mal falado. Lizzy, em particular, desgosta imensamente dele, por ele ter ferido seu orgulho na primeira vez em que se encontram. A recíproca não é verdadeira. Mesmo com uma má primeira impressão, Darcy realmente se encanta por Lizzy, sem que ela saiba do fato. A partir daí o livro mostra a evolução do relacionamento entre eles e os que os rodeiam, mostrando também, desse modo, a sociedade do final do século XVIII.

Um livro muito gostoso de ler (e reler, e reler...) e com personagens apaixonantes! Um lindo casal: Elizabeth Bennet e Mr. Darcy. E, com uma descrição perfeita da vida e costumes da época, sinto-me no século XVIII...
Recomendo, e muitooo!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A abadia de Northanger, Jane Austen

Catherine Morland - uma jovem que não se destaca em beleza ou inteligência, ingênua e de bons princípios - é convidada a passar uma temporada em Bath com seus vizinhos e amigos da família, Sr. e Sra. Allen. Lá, Catherine faz amizade primeiramente com a Srta. Isabella Thorpe e, pouco depois e paralelamente, com a Srta. Elianor Tilney, além de ser cortejada pelos respectivos irmãos de suas novas amigas, Sr. John Thorpe e Sr. Henry Tilney enquanto participa de diversos bailes e outros eventos. De cara Catherine já se vê encantada pelo Sr. Tilney, mas sofre ao tentar driblar seu outro insistente pretendente.
Catherine está lendo “Os Mistérios de Udolpho” de Ann Radcliffe, um romance gótico que não li, mas acredito seguir a mesma linha de “O castelo de Otranto” de H. Walpole (pai do gênero gótico), no estilo de castelos assombrados com crimes misteriosos.
Convidada a conhecer a residência dos Tilney – a abadia de Northanger – Catherine se deixa levar pela imaginação e logo se encontra na vexante situação de estar à procura de mistérios e pistas criminosas, até suas fantasias serem descobertas por seu amado Sr. Henry Tilney e assim finalmente se ver forçada a colocar os “pés no chão”.


Apesar de este livro ser considerado por muitos o mais “fraco” das seis principais obras de Jane Austen, nesta sua primeira obra Jane está afiadíssima em suas sátiras, não deixando de ter em suas entrelinhas muitas críticas; pontos para discussão e reflexão.

Trata-se de uma paródia gótica onde ao mesmo tempo em que a autora defende o romance e critica a postura da sociedade de sua época, tanto dos leitores quanto dos próprios escritores do gênero - como no trecho: “Sim, romances, pois não adotarei este mau e insensato costume, tão comum em escritores de romances, de degradar pelas suas desprezíveis censuras os próprios trabalhos (...), quase nunca permitindo que sejam lidos pela sua própria heroína, a qual, se acidentalmente pegasse um romance, certamente fecharia suas páginas insípidas com desgosto. Ah! Se a heroína de um romance não for protegida pela heroína de outro, de quem ela poderia esperar proteção e consideração?” - faz uma crítica ao romance estilo gótico, que estava em seu auge na época, utilizando sua melhor ferramenta: a sátira; ela mostra através da história de sua heroína a influência do romance em seu leitor, utilizando a imaginação de Catherine – para mim, o conflito vivido pela jovem entre a realidade e a sua imaginação é o ápice da história! - para demonstrar o perigo de não se diferenciar a fantasia de um livro da realidade. Pode parecer absurdo: quem confundiria a fantasia com realidade? A verdade é que não é, e hoje não sofremos só com a influência de um bom romance, mas também da televisão, rádio e muitos outros meios de comunicação; atire a primeira pedra quem nunca esperou por um príncipe encantado alguma vez na vida, por exemplo. Então, eu realmente acredito que não estamos muito longe de uma Catherine Morland e que é SUPER válido o alerta que Jane Austen nos dá para diferenciarmos o romance da vida real. E, ao defender o romance de um modo geral, Jane também critica os que rebaixavam o gênero e ainda os destinavam somente às mulheres que na época eram consideradas inferiores, e durante a leitura tive a sensação de que Jane queria muito demonstrar que um romance “água-com-açúcar” pode ter muito mais em suas entrelinhas.
Resumindo, acredito que Jane Austen não está contra o romance de um modo geral, mas contra ao modismo e ao romance sem finalidade, que rebaixa o gênero e seus leitores.
Outra observação: logo no inicio da leitura a autora retrata Catherine como uma jovem medíocre, sem grandes atrativos, porém faz bastante referência à sua personagem principal como “heroína”. Eu sei, a palavra heroína tem dois significados: “personagem principal de uma obra” e “mulher de extraordinário valor”. Eu acredito que a utilização de tal termo por parte da escritora faz parte de uma de suas ironias quando lemos a descrição que esta faz a sua personagem.
Para finalizar, devo dizer que desde sua primeira obra Jane Austen já demonstra sua aguçada percepção aos caracteres humanos, retratando seus personagens de forma tão condizente com a realidade de sua época que nos permite fazer um paralelo com a sociedade dos tempos atuais.
Incrível pensar que em pouco mais de duzentos anos, pode ter mudado o estilo de roupa – mas a moda continua sendo supervalorizada -, o estilo de dança – porém ainda é utilizada como uma forma de “cortejar” – ou o meio de transporte – todavia este continua sendo objeto de grande valor, especialmente para o sexo masculino. O fato é que o ser humano continua em sua essência o mesmo que há séculos atrás. E isto se pode perceber tranquilamente através da leitura deste livro tão pouco valorizado de Jane Austen.

Entretanto confesso que “A abadia de Northanger” não é o meu favorito de Jane Austen, porém ele possui muitos méritos, apesar de uma fraca história de amor, o livro é bem divertido!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll

"Gatinho de Cheshire" começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome, mas ele abriu ainda mais o sorriso. "Vamos, parece ter gostado até agora", pensou Alice, e continuou. "Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?"
"Isso depende bastante de onde você quer chegar" disse o Gato.
"O lugar não me importa muito...", disse Alice.
"Então não importa que caminho você vai tomar", disse o Gato."...desde que eu chegue a algum lugar", acrescentou Alice em forma de explicação.
"Oh, você vai certamente chegar a algum lugar" disse o Gato, "se caminhar bastante".

(Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, pág. 84, L&PM)


A menina Alice que está no jardim com sua irmã mais velha e sua gatinha, sentindo-se entediada enquanto a irmã lê para ela um chato livro em voz alta, quando vê um coelho branco de colete parar para olhar as horas em seu relógio e sair apressado. Curiosa, Alice o segue até a toca, quando entra, cai em um poço profundo que a leva até um país maravilhoso onde encontra: um gato sorridente - que aparece e desaparece quando tem vontade; um chapeleiro louco e a lebre maluca; a rainha de copas que adora mandar degolar seus súditos; uma lagarta com seu narguilé; e diversos animais falantes.

A história - acredito - a maioria conhece, principalmente através do clássico da Disney de 1951.
Só pelo trecho do livro acima - que inicio este post - já para notar que este vai além de um simples livro infantil. Por retratar críticas e diversas mensagens em suas entrelinhas que podem ser interpretadas de diversas maneiras tornou-se um livro cheio de filosofias e que traz até referências a lógica e a matemática; a rainha de copas que seria uma crítica a monarquia de sua época (trata-se da rainha Vitória); a perda da identidade; e até as mudanças físicas e psicológicas da pré-adolescência.
Este é, sem dúvida, um livro para reler diversas vezes e se perder cada vez mais e mais no mundo maravilhoso de Alice.
Devo dizer que gostei bastante de mergulhar na leitura e me encontrar em um universo que só uma criança é capaz de viver, e me impressiona acreditar que um mundo tão mágico foi realmente criado por um adulto. Foram meus momentos nostalgicos ao relembrar da facilidade que tinha para eu me perder em um mundo de fantasias, e como tudo me parecia tão real naquela época - como acontece com a Alice durante a história. Sinto saudades de meus devaneios infantis, e talvez eu releia Alice outras diversas vezes, não para filosofar, mas para encontrar a criança sonhadora dentro de mim que, muitas vezes, encontra-se adormecida.

Lewis Carroll é o pseudônimo de Charles Lutwidge Dodson (1822 - 1898) que escreveu também uma continuação da primeira história que se chama "Alice no país do espelho" (1872); além de escrever, Lewis era matemático e fotógrafo. Gostava de fotograr somente meninas, e há muita polêmica sobre a vida de Lewis Carroll do qual não pretendo mencionar aqui.
A história surgiu quando Lewis - ou Charles - passeava de barco com a menina Alice Liddell de 10 anos e suas duas irmãs e resolveu contar-lhes uma história que originou o clássico da lituratura.
Eis a foto da menina que inspirou a história:



(Alice Liddell)


Está previsto para abril de 2010 o lançamento do filme "Alice no país das maravilhas" do cineasta Tim Burton que aparentemente traz uma nova versão para a clássica história de Lewis Carroll: Alice, aos 17 anos, sem a lembrança de sua última visita e ao seguir novamente o coelho branco, retorna ao País das Maravilhas.
Nem tenho palavras para descrever minha ansiedade para a estréia do filme! Adoro o Tim Burton e o Johnny Depp!


sábado, 9 de janeiro de 2010

Tess of the D'Urbervilles, Thomas Hardy

Em meio as resenhas dos livros que lerei este ano, colocarei algumas de livros que li em anos anteriores. Aí está a resenha de um livro que li o ano passado e que gostei:

Não somente uma trágica história de amor


“Tess of the D’Urbervilles” trata-se de uma história de amor um tanto triste e trágica de uma pobre, porém jovem e bela, camponesa do séc. XIX e seus infortúnios ao descobrir que seu sobrenome pertence a uma linhagem nobre.
Tess Dubeyfield, a filha mais velha da humilde e numerosa da família do Mr. John Dubeyfield e Mrs. Joan Dubeyfield, é enviada por seus pais à procura de seus parentes, com intuito de melhorar financeiramente de vida e na esperança de casar a filha mais velha com algum parente rico.
A desgraça de Tess está materializada no suposto primo – já que na realidade, ele não é primo de Tess, pois só carrega o nobre sobrenome que possui por seu endinheirado pai tê-lo “comprado” – Alec D’Urberville, encantado com a beleza e graça da virginal Tess, a seduz – em outras palavras, violenta a jovem – tirando dela a única coisa que possuía: sua honra. Tess paga por este “pecado” do qual não foi autora e sim vítima por toda sua curta vida.
Entretanto, Alec D’Urberville não é o personagem mais interessante da história, afinal ele é o vilão, dissimulado e mau caráter. Mas, ainda há o herói Angel: um livre pensador, que parece não se importar com as “regras” da sociedade e busca trilhar seu próprio caminho e possuir seu próprio modo de ver o mundo. Parece o homem ideal para resgatar Tess das humilhações passadas e viver feliz para sempre. Mas nem mesmo Angel, que possui uma mente aberta para os padrões de sua época e sociedade, consegue aceitar as condições de Tess, tomando atitudes pelas quais mais tarde irá se arrepender. (Para quem não leu o livro, calma que a história não acaba por aí...).

Thomas Hardy (02 de julho de 1840 – 11 de janeiro de 1928) - novelista e poeta inglês conhecido por seu excesso de pessimismo – trata em sua obra “Tess of the D’Urbervilles” de assuntos que ultrapassam a trágica história de amor descrita: a hipocrisia cristã da época, a dominação masculina, a condição da mulher e a injustiça social são assuntos também abordados nas entrelinhas do belo romance.

Além do livro há também várias adaptações para o Cinema e TV:

A capa do livro - imagem acima: edição de 1984 da editora Itatiaia - e entre suas páginas possuem fotografias do filme de Roman Polanski (1979 com Nastassja Kinski ). Confesso que não assisti ao filme.




Assisti à série da BBC de 2008 baseada na obra e recomendo! Está belíssima e fiel à obra de Thomas Hardy.

Se quiser baixar a série na internet, recomendo a comunidade no orkut: Séries da BBC - Download . Você encontrará não só esta linda série como várias outras!

sábado, 12 de setembro de 2009

Grandes Esperanças, Charles Dickens



Resenha:

Pip é um menino órfão criado por sua irmã mais velha, Mrs. Gargery e seu marido Joe – um ferreiro simples e humilde. Encontrava-se resignado aos passos de Joe, com um futuro como ferreiro até conhecer Miss Havisham e sua filha adotiva Estela, por quem Pip se apaixona. Miss Havisham que após ser deixada pelo noivo no dia de seu casamento vive trancafiada em sua casa, onde o tempo parou – os relógios marcam o horário em que seu coração partiu, o bolo e os preparativos da festa e Miss Havisham ainda com seu vestido de noiva, tudo estava como no dia de sua grande decepção ocorreu -, agora cria Estela para se vingar, para partir o coração de alguém como o seu foi quebrado.Por se sentir rebaixado por Estela, Pip, sente vergonha por seu futuro como ferreiro, por sua família e seu grande amigo Joe e seu grau de instrução, e começa alentar esperanças em um dia tornar-se um cavalheiro. Um dia sua grande esperança é financiada por uma pessoa que prefere manter-se no anonimato e Pip deixa Joe, Biddy, a cidade onde nasceu para se submeter às regras da aristocracia inglesa. Assim, a vida de Pip muda completamente.


Nunca antes degustei tanto um livro. Li sem pressa, deixando-me envolver e transportar para dentro do cenário um tanto melancólico que Dickens magistralmente criou, não desejando que chegasse ao fim. Dickens descreve muito bem os júbilos e ansiedades seguidos de receios, sofrimentos, todo desalento que a expectativa de uma mudança tão desejada que ocorre mas com a conseqüência de deixar para trás pessoas queridas. Com Pip como um herói cheio de defeitos e Estela como uma quase anti-heroína, Dickens constrói uma história de amor que soa adulta, apaixonada.
Da metade para o final a história torna-se mais emocionante, e Dickens criou um incrível desfecho ao livro. Chorei e também ri ao acompanhar toda a vida de Pip. Criei diferentes graus de vínculos com cada personagem: Pip, Joe (em especial), Estela, Biddy, Miss Havisham, o condenado Magwitch... Vou sentir saudade, mas conforta saber que o livro está ali na estante a um braço de distância para saciar minhas 'grandes esperanças'.

Charles Dickens:

Charles John Huffam Dickens, nasceu em 07 de feveiro de 1812 em Portsmouth - uma cidade do Hamphire, na Inglaterra - e faleceu em 9 de junho de 1870 aos 58 anos.
No inicio da carreira, Dickens utilizava o pseudonimo de Boz, e apesar de suas obras não serem muito realistas para os parâmetros atuais, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.


Algumas de suas principais obras:

- Grandes Esperanças
- As aventuras do Sr. Pickwick
- David Copperfield
- Olivier Twist
- Um conto de Natal
E outros.

Pretendo logo postar mais detalhes da vida de Dickens por aqui, assim como as resenhas de suas outras obras. Aguardem!


Adaptações cinematográficas:


Versão de 1998

Ficha técnicatítulo original:Great Expectations
gênero:Drama
duração:01 hs 51 min
ano de lançamento:1998
estúdio:20th Century Fox
distribuidora:20th Century Fox Film Corporation
direção: Alfonso Cuarón
roteiro:Mitch Glazer, baseado na obra de Charles Dickens


Elenco:Ethan Hawke
Gwyneth Paltrow
Chris Cooper
Anne Bancroft
Robert deNiro



Trailer


Versão de 1946

Ficha técnica


Direção: David Lean
Roteiro: Charles Dickens (romance), Anthony Havelock-Allan, David Lean, Cecil McGivern, Ronald Neame
Gênero: Drama
Origem: Reino Unido
Duração: 118 minutos
Tipo: Longa-metragem


Elenco:

John Mills
Valerie Hobson
Bernard Miles
Francis L. Sullivan
Jean Simmons



Trailer