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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Miss Brontë" de Juliet Gael

"Parecia que o próprio sonho se realizara como sempre se realizam, a seu tempo e de maneira inesperada". (p. 359)


"Miss Brontë" se trata de uma ficção biográfica sobre uma renomada escritora da literatura inglesa: Charlotte Brontë.
Filha de um pastor - Patrick Brontë - quase cego e depressivo e tendo como único varão da família o irmão Branwell que, além de desempregado, entregou-se a bebida após se apaixonar perdidamente por uma mulher casada cujo marido era quem lhe pagava o salário como tutor. E, apesar do intelecto aguçado, seu ego era enorme e Charlotte acreditava que a culpa disto estava no tratamento indulgente na criação do irmão. Sabendo que não poderia contar com ele, ela buscava por alternativas para acrescentar o sustento da família. Mas sua tentativa em transformar sua casa em uma pequena escola, como internato, fracassara e a probabilidade de ela e as irmãs, Emily e Anne, terem de se separar para voltar ao trabalho como preceptoras novamente, não agradava a nenhuma delas. Queriam estar juntas. Mesmo que a vida em Haworth - um vilarejo na Inglaterra - fosse tão enfadonha. As reclusas irmãs Brontë não se importavam, pois se costumaram a recorrer à imaginação para que vida fosse menos fastidiosa, desde a infância criavam histórias de mundos imaginários cheios de emoção e aventura.

"Charlotte tinha pouco controle sobre o que emergia. Acreditava na supremacia da livre imaginação. (...); as ideias despontavam naturalmente". (p. 80)

Charlotte surge então com a ideia de que Emily deveria publicar as poesias que costuma escrever, mas com a recusa obstinada da irmã, muda de tática para convencê-la: propõem que as três publiquem juntas seus poemas. Emily aceita a proposta, porém com uma condição: deveriam publicar sob um pseudônimo e manter completo sigilo sobre a publicação. Nem mesmo seu pai e irmão, ou qualquer amigo por mais íntimo que fosse, poderia saber. Charlotte aceita a condição e é ela quem procura por um editor e, ao encontrar, elas tomam a decisão de utilizar uma parte do dinheiro que lhes fora deixado de herança pela tia para bancar a publicação. Os nomes escolhidos por elas como pseudônimo seriam masculinos: Curter (Charlotte), Acton (Anne) e Ellis (Emily) Bell (Brontë).

Apesar do fracasso nas vendas do livro - apenas dois exemplares foram vendidos -, as irmãs estavam contaminadas com a excitação de escrever e publicar e estavam decididas a escrever um romance desta vez. Foi quando Emily escreveu "O morro dos ventos uivantes", Anne escreveu "Agnes Gray" e Charlotte, "O professor". O romance de Emily e Anne foram publicados, mas nenhuma editora aceitara a produção de Charlotte. Ela mesma não estava muito satisfeita com o romance que parecia não exprimir paixão à altura do que fora sua inspiração: um professor de quando estudara em Bruxelas por quem se apaixonou. Mas uma nova ideia para uma trama surgia em sua mente e quando partiu para Manchester para acompanhar o pai em sua cirurgia para a catarata e por lá teve que permanecer durante um mês - pois era o tempo determinado pela médico para a recuparação de seu pai -, é que, então, deu vida a sua maior obra "Jane Eyre". Esta obra lhe trouxe grande sucesso, mas por um bom tempo teve de permanecer escondida sob seu pseudônimo pela promessa feita à irmã.

Poucos foram os homens que alcançaram o coração de Charlotte, como o tal professor de Bruxelas e o seu editor George Smith, mas somente um a amou intensamente. Por muito tempo Charlotte lutou contra os sentimentos de Arthur Nicholls, um pároco-assistente que trabalhava para seu pai. Um homem pobre e turrão, de um intelecto que não alcançava ao de sua amada, mas de bom coração. Charlotte, finalmente, se permitiria ser amada?

Amor, fracasso e sucesso, perdas, laços e conflitos familiares. Todos os elementos que compõem a vida de Charlotte Brontë estão presentes neste livro. A autora de "Miss Brontë" se ateve ao máximo na história biográfica para compor esta obra que nos permite permear na intimadade da família Brontë.
Para mim, que tenho um enorme apreço pelas clássicas obras das irmãs Brontë, foi simplesmente delicioso me sentir tão próxima das autoras. Quase que o livro todo me pareceu verossímil, em muitos momentos mesmo aquelas partes em que são claramente imaginadas pela autora me pareciam próximas de serem verdadeiras. Com exceção das últimas cem páginas em que, na minha opinião, foram tão romanceadas que aparentaram claramente falsas, e ocorreram algumas mudanças que me pareceram bruscas no comportamento de alguns personagens. Também não posso deixar de comentar que o excesso de informação - que eram, para mim, muitas vezes interessantes - em alguns momentos deixa a leitura um pouco cansativa. Percebe-se que a autora tentou incluir o máximo de informações possíveis na história, mas ainda assim boa parte da vida da autora não é mencionada no livro que inicia sua trama com Charlotte já adulta.
Ainda assim, admito que me emocionei ao me perder nas páginas de "Miss Brontë", e que Charlotte me surpreendeu por ter sido uma pessoa tão forte e ter enfrentado tanta tristeza e dificuldade.
Adorei reconhecer as autoras e suas histórias no romances que escreveram, e lamento ainda não ter lido outras obras de Charlotte, além de "Jane Eyre" que eu amo tanto. Espero que "Villette" e "Shirley" sejam publicadas aqui no Brasil. Mas enquanto isto, vou à caça por estas obras em sebos ou por edições estrangeiras.
Enfim, eu gostei bastante e recomendo!

Literatura Estrangeira
Editora: Laurosse
Publicado em: 2011
Formato: Brochura
Número de páginas: 400
Categoria: Ficção Biográfica
Idioma: Português
Nota: 4/5
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terça-feira, 13 de julho de 2010

Cine & TV - Especial Robert Pattinson

Ok, vamos esclarecer uma coisa antes de tudo: eu NÃO sou uma fã louca por Robert Pattinson. Aliás, não há ator algum que me leve ao "delírio". Eu adoro cinema, mas não a tal ponto. Tenho lá minhas preferências por um ou outro ator, mas - desculpem-me as fãs - Rob, para mim, não chega aos pés de atores como Johnny Depp e Orlando Bloom *suspiros*! Este especial "Robert Pattinson" trata-se do fato de eu ter assistido a dois filmes do ator ontem do qual quero comentar por aqui, e do fato de que há um filme para ser lançado que está na minha lista do "Quero ver!" rs.
Vou falar destes três filmes de uma vez, mas antes vou deixar aqui uma pequena biografia do ator tirada do site FILMOW.


Data de Nascimento: 13 de Maio de 1986 (24 anos)
Local de Nascimento: Londres, Inglaterra  (não sabia que ele é Inglês! dããrr... rs. Ganhou um pontinho por isto! rsrs)
Biografia
Robert Thomas Pattinson é um ator, modelo e músico britânico, mais conhecido por interpretar Cedric Diggory em Harry Potter e o Cálice de Fogo, o quarto filme da série inspirada nos livros de J. K. Rowling, e Edward Cullen nos filmes da série Crepúsculo, adaptados dos romances de Stephenie Meyer. Também atuou em Remember Me, onde foi produtor executivo, e estará no elenco de Unbound Captives.
Robert Pattinson nasceu em Londres, Inglaterra, filho de Clare e Richard Pattinson. Robert tem duas irmãs mais velhas, Elizabeth "Lizzy" Pattinson, que é uma cantora, e Victoria Pattinson. Ele frequentou o Tower House School, exclusivo para meninos, e o Harrodian School e suas primeiras atuações no teatro foram com 15 anos, quando se matriculou na Barnes Theatre Company, atuando em peças como Macbeth e Guys and Dolls.

Filme: "Lembranças"
Sinopse: Tyler Roth e Ally Craig (Robert Pattinson e Emilie de Ravin), não têm nada em comum um com o outro, a não ser a dor de terem perdido seus entes queridos de forma trágica. Tyler é um rapaz que tenta salvar o casamento de seus pais (Pierce Brosnan e Lena Olin) após o suicídio do irmão desmoronar a família. Ally testemunha o assassinato da própria mãe. Juntos, viverão uma história de amor.
Duração: 120 minutos
 
Vou começar elogiando esta imagem da capa: Eu achei linda! Ponto.
Agora sobre o filme... Bem, eu me interessei por ele depois que uma amiga - de infância - me indicou. Se não fosse por isto, provavelmente eu nem teria me dado o trabalho de alugá-lo.
Sabe aquele filme que termina e aí você ainda passa o dia todo pensando nele? Bem, para mim, este foi o caso. Este não é um daqueles filmes previsíveis que nos primeiros minutos você já sabe o final - a não ser que você já tenha lido algum spoiler por aí, por que se alguém me disser que já sabia o final sem ler spoiler, eu não vou acreditar! E para quem ficou curioso, eu imploro: não vá procurar spoilers para saber do que eu estou falando, assista ao filme!
Há um ou outro clichê na história, mas de um modo geral eu gostei do roteiro e das atuações (claro, que estou dizendo como uma leiga e apenas uma mera admiradora da sétima arte).
Resumindo, é um baita de um drama com um romance fofo e um final imprevisível. Um filme que eu gostei muito, e sim, eu chorei - para variar! rs.


 
Filme: "Eclipse"
Sinopse: Enquanto Seattle é devastada por uma sequência de mortes misteriosas, um malicioso vampiro continua a sua busca por vingança. Bella novamente se encontra rodeada por perigo.
Em meio a tudo isso, ela é forçada a escolher entre seu amor por Edward e sua amizade com Jacob – sabendo que sua decisão tem o potencial para inflamar a luta entre vampiros e lobisomens. Com sua graduação aproximando rapidamente, Bella tem mais uma decisão para fazer: vida ou morte.
Duração: 124 minutos

Eu fui com uma amiga - não a mesma que me indicou o filme acima - assistir a este filme, e era a terceira vez que ela estava assistindo. Você deve estar pensando que a minha amiga tem uns quinze anos e é louca pela saga, certo? Mas não. Ela tem trinta e pouco anos e acabou de descobrir a magia de "Crepúsculo". E, como muitas mulheres, está suspirando por Edward... rs. Não esperem de mim críticas para este filme. Eu vi, sim, muitas falhas e teria o que criticar se eu quisesse, mas não quero. Sabe por quê? Por que não me importo com elas. Eu amo "Crepúsculo" e ponto. Podem falar o que quiserem... E haja crítica! "Stephenie plagiou"; "Edward é um corno virgem", e muitos outros blábláblá que já ouvi por aí... E nada disso me interessa, cansei. É pura #dordecotovelo! Fato. Pronto, falei. Não importa o que digam, eu amo a série. Edward é, sim, meu sonho de consumo (mas, preste atenção: Edward, o persongem; e não Robert o ator!), assim como para milhares de outras meninas ou mulheres já feitas, casadas e que acompanham suas filhas e suspiram por amor assim: tão longe de ser real, mas que - quase - todas desejam ardentemente.
Se o livro é melhor que o filme? Bem, todos sabem que sim. Mas para quem gosta da série, não deixe de assistir a este filme e suspirar; e principalmente sonhar. Por que a vida seria bem chata não pudessemos sonhar um pouquinho, mesmo que por algumas horinhas apenas, antes de voltarmos a rotina.


Filme: Bel-Ami
Baseado no obra de Guy de Maupassant, "Bel-Ami", Georges Duroy - rapaz pobre, de origem camponesa, que procura a fortuna a e afirmação social em Paris. As mulheres o chamam de Bel-Ami, e ele consegue delas o que deseja: de algumas, o prazer efêmero; de outras, pelo casamento, a projeção financeira e profissional. Assim, Guy de Maupassant traça um painel sutil e mordaz da sociedade parisiense no final do século XIX.

O filme está prevista apenas para Outubro de 2011! Mas já vou adiantando que eu não vou perder! Eu não posso negar que este é exatamente o tipo de filme que eu gosto. Claro, antes de assistir, vou ler o livro e comentar por aqui!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sir Arthur Conan Doyle: Vida e Obra

Para começar, peço desculpas; prometi uma semana recheada de Sherlock Holmes e hoje já é sexta-feira.. Mas acredito que entenderão que esta semana estive ocupada: com a leitura de "O símbolo perdido" de Dan Brown (que já finalizei); "Nudez Mortal" de Nora Roberts; retomei a leitura de "As crônicas de Nárnia: O menino e seu cavalo" e, para finalizar estava colocando em dia a releitura de "A abadia de Northanger" de Jane Austen para o Clube do Livro que estou participando. Além dos livros, comprei alguns filmes e passei a semana assistindo. Ufaaaa! rs. Estou aproveitando, pois as férias estão acabando...
Hoje postarei um pouco sobre a história de Sir Arthur Conan Doyle e sua mais famosa criação: Sherlock Holmes!

SIR ARTHUR CONAN DOYLE
Arthur Ignatius Conan Doyle nasceu em Picardy Place, bairro de Edimburgo, capital da Escócia, em 22 de maio de 1859, sendo batizado na igreja católica, religião de seus pais.
Dos sete aos nove anos ACD freqüenta a escola em Edimburgo; aos dez anos é enviado para Hodder, instituição preparatória para Stonyhurst, onde o currículo geral constava de sete matérias - fundamentos, números, rudimentos, gramática, sintaxe, poesia e retórica- cada uma exigindo um ano, de modo que foram sete anos na instituição jesuíta Stonyhurst, lá percebe a "existência de uma veia literária que não compartilhava com os demais", tanto que em seu último ano foi redator da revista da escola, escrevendo "uma quantidade razoável de poemas medíocres".
Em outubro de 1876 ingressa na Universidade de Edimburgo e de lá sai, em agosto de 1881, como bacharel em medicina. Seu período na Universidade, apesar da "longa e tediosa rotina de botânica, química, anatomia, fisiologia e uma série de matérias obrigatórias, muitas das quais mantém uma relação muito distante com a arte da cura", lhe rendeu pontos decisivos para sua futura carreira literária.
"Após um inverno cursando a Universidade, meu seguinte cargo como assistente rendeu-me dinheiro de verdade, chegando a 2 libras por mês". ACD trabalhava agora com o dr. Hoare, um conhecido médico de Birmingham, aviando receitas e também fazendo sua própria ronda junto aos mais pobres e convalescentes. No seu segundo estágio junto ao dr. Hoare, como os conhecimentos médicos de ACD haviam se ampliado, fez alguns partos e tratou de casos mais graves de clínica geral, além de aviar receitas. Foi por essa época que, devido ao comentário de um amigo, afirmando suas cartas serem "muito vívidas" e que certamente poderia vender alguns escritos, ACD descobre que poderia garantir alguns shillings a mais com a literatura.
Em 1885, ao tratar de um doente de meningite cerebral, vem a conhecer a irmã desse paciente, Louise Hawkins, casando-se com ela em 6 de agosto de 1885.
No período anterior ao casamento ACD continuava escrevendo alguns contos afim de aumentar sua renda, publicando alguns na London Society, All the Year Round, Temple Bar, The Boy's Own Paper e outras. "Com o casamento, porém, meu intelecto pareceu se aguçar, e tanto a minha imaginação quanto meus meios de expressão se ampliaram muito. a maioria dos contos que acabaram sendo publicados em O Capitão da Estrela do Norte (Captain of the Polestar) foram escritos naqueles anos, entre 1885 e 1890". A Declaração de Habakuk Jephson (Habakuk Japhson's Statement) é publicado na Cornhill -respeitável e influente revista que, entre suas páginas, já haviam figurado autores como Thackeray e R. L. Stevenson- de forma anônima, de acordo com a regra da revista, rendendo ao autor um cheque de 30 libras. A excelente recepção da crítica faz ACD publicar mais dois contos na Cornhill (também anonimamente): O Hiato de John Huxford (John Huxford's Hiatus) e O Anel de Toth (The Ring of Toth) e na escocesa Blackwood era publicado A Mulher do Fisiologista (The Physiologist's Wife), "escrito enquanto eu sofria influência de Henry James".

A conquista de espaço próprio vinha sendo conquistada paulatinamente e "eu agora sentia que era capaz de coisa mais original, mais interessante e mais profissional. Gabouriau me agradara bastante com o encadeamento bem urdido de suas tramas, e o detetive de Poe, A. Dupin, fora um dos heróis de minha infância. Mas seria eu capaz de acrescentar algo de meu? Pensei no meu velho professor, Joe Bell, no seu rosto aquilino, seus modos esquisitos, seu talento impressionante para perceber detalhes. Fosse ele um detetive, decerto que transformaria essa atividade fascinante mas desorganizada em algo mais próximo a uma ciência exata. Eu tentaria obter esse efeito, se pudesse. Se era certamente possível na vida real, como não seria plausível na ficção? É muito fácil dizer que um homem é inteligente, mas o leitor deseja ver exemplos dessa inteligência - exemplos como os que Bell nos dava todos os dias, no ambulatório. A idéia me atraía. Que nome dar ao personagem? Ainda possuo a folha de caderno onde anotei várias alternativas. Rebelei-me contra o artifício de colocar nos nomes insinuações sobre o caráter, com personagens chamados Sharp (Agudo) ou Ferret (Furão). Primeiro, foi Sherringford Holmes; depois Sherlock Holmes. Ele não poderia contar as próprias proezas, de forma que era preciso dar-lhe um companheiro banal - um homem culto e ativo, capaz tanto de acompanhá-lo em suas aventuras, quanto narrá-las. Um nome simples e banal para esse homem modesto. Watson serviria. Foi assim que surgiram os meus fantoches e escrevi Um Estudo em Vermelho (A Study in Scarlet)". ACD tinha então 28 anos e foi assim que surgiu aquela que, provavelmente, seja a mais conhecida personagem da literatura mundial - bem como o coadjuvante literário mais conhecido também, o amigo e auxiliar Dr. Watson, que serve de confidente a quem o protagonista se revela em conversas.
Um bom número de revistas mensais circulava em Londres por essa época, entre as quais se destacava a The Strand, dirigida por Greenhough Smith. "Examinando aqueles diversos periódicos, com suas histórias desconexas, ocorreu-me que um folhetim centrado num mesmo personagem poderia prender o leitor à revista - desde que prendesse antes a sua atenção". Nascia aqui a parceria entre ACD e a The Strand, onde a imensa maioria dos contos sobre Sherlock Holmes vieram a ser originalmente publicados.
Entretanto, outros projetos ocupavam a mente de ACD. "Finalmente, após ter escrito duas séries, percebi que corria o risco de forçar a mão e ser para sempre identificado com algo que a meu ver representava o nível mais baixo da criação literária. Conseqüentemente, como prova da minha determinação, resolvi pôr fim à vida de meu herói. A idéia já me ocorrera durante umas curtas férias na Suíça, quando conheci as maravilhosas cataratas de Reichenbach, um lugar terrível, e que se me afigurou um túmulo digno do pobre Sherlock, ainda que com ele eu enterrasse a minha conta bancária. Portanto, foi onde o atirei, firmemente decidida a deixá-lo lá - como de fato o deixei, durante alguns anos. Fiquei atônito com o desgosto que os leitores manifestaram. Dizem que os homens só são devidamente apreciados depois da morte, e o alardio geral contra a execução sumária de Holmes me ensinou quantos e quão delicados eram os meus amigos. "Seu bruto!" começava a carta de censura que me enviou um senhora, e creio que ela não falava apenas em seu nome. Soube que muitos choraram. Lamento dizer que pessoalmente mostrei-me totalmente insensível e até satisfeito com a oportunidade de investigar novos campos da imaginação, pois a tentação de pagamentos elevados vinha tornando difícil deixar Holmes de lado".
Em 1893, The Strand publica O Problema Final onde, numa luta, Sherlock Holmes e seu maior antagonista, o professor Moriarty, despencam nas cataratas de Reichenbach. Durante dez anos Holmes permaneceu morto até que, em outubro de 1903, surge a aventura d'A Casa Vazia, onde o detetive reaparece, revelando que não caíra no precipício, mas conseguira escalar o outro lado do paredão.

Apesar da hostilidade do criador pela criatura, Holmes tornava-se sempre mais popular, em livros, adaptações para o teatro e, mais tarde, para o cinema. Existem espalhados pelo mundo diversos clubes com o nome Sherlock Holmes e os correios londrinos recebem até hoje cartas endereçadas a 221-B Baker Street - endereço do escritório do detetive - e dirigidas a Sherlock Holmes, tamanho o poder de convencimento do escritor.
Embora a literatura já ocupasse ACD integralmente, foi voluntário para a Guerra do Bôeres (guerra entre os bôeres, colonizadores de origem holandesa da África do Sul, e os ingleses que desejavam apossar-se da região, onde haviam sido descobertos diamantes e ouro. A luta se estendeu de 1899 a 1902, quando, vencidos, os bôeres assinaram a paz de Vereeniging), onde exerceu sua profissão no hospital de Langman Field.
Em seus últimos anos, converteu-se ao espiritismo, a cuja causa se entregaria até o fim da vida. Conan Doyle morreu em 1930, aos 71 anos, em Cowborough, Grã-Bretanha.
 
(adaptação - crédito: MUNDO ELEMENTAR)

CÂNONE SHERLOCKIANO

É chamado de Cânone sherlockiano o conjunto de todas as obras de Sherlock Holmes publicadas por Sir Arthur Conan Doyle; ou seja, os quatro romances e as cinqüenta e seis historietas.
Confira todos eles no site: http://www.sherlockholmes.com.br/canone.htm . Com todos os textos online!
Também recomendo o site MUNDO ELEMENTAR para quem quiser se aprofundar no universo Sherlockiano, além de todas as obras, contém diversas curiosidades, artigos e muito mais. Confira!